A Associação Pedagógica Jardim Satori, assim como as Escolas Waldorf no Brasil, comprometido com o movimento educativo Antroposófico mundial e os princípios da Pedagogia Waldorf propostos por Rudolf Steiner que nos servem como fonte de inspiração, centraliza suas intenções educativas no sentido de:

 

  • Proporcionar a autoeducação como um dos caminhos para a consolidação dos princípios humanos na síntese do querer (ação), sentir e pensar;

 

  • Promover o desenvolvimento de seres humanos livres, capazes por eles próprios de dar sentido e direção às suas vidas em busca de um desenvolvimento para além da matéria física;

 

  • Criar um espaço educacional entendido como organismo dinâmico, de vivências lúdicas e naturalmente criativas, onde se propicie o crescimento pessoal de atuação no mundo para toda a comunidade;

 

  • Contribuir para o desenvolvimento gradual da individualidade em sua formação corporal, anímica e espiritual em equilíbrio harmônico e saudável;

 

  • Contribuir para a formação do indivíduo dentro de uma proposta educativa de abertura para o mundo com toda a sua diversidade, abertura que possa ser interiorizada e compreendida a partir de perspectivas próprias;

 

  • Levar os participantes da comunidade escolar à visão da evolução humana/espiritual, no seu inter-relacionamento com a natureza e os demais seres humanos, objetivando a consciência do seu ser como sujeito transformador do mundo, e criativo, parte ativa de organismo vivo;

 

  • Oferecer subsídios para que o aluno possa conquistar a sua liberdade espiritual, participando da obra do bem comum, compreendendo e exercendo harmonicamente a sua existência humana;

 

  • Desenvolver na criança a base para um pensamento claro e objetivo, isento de preconceitos e dogmas, com sentimentos autênticos não massificados e que respeitem os demais, num marco de igualdade de direitos e obrigações, e uma capacidade vigorosa de sustentar responsavelmente a fraternidade na vida econômica e social do futuro.

 

  • Promover ritmo, que é algo fundamental, pois conduz a criança diariamente através das atividades propostas com segurança e confiança, impulsionando a sua salutogênese.

 

 

Temos o ritmo do dia (dentro-sala/fora-pátio), que inclui brincar livre com as atividades pedagógicas do dia, desenhar, preparação do lanche junto da professora, roda rítmica, lanche, higienização, brincar livre e história.

 

O ritmo da semana, onde cada dia da semana acompanha a sua atividade: modelagem, aquarela, manualidades variadas e adequadas a cada faixa etária, produzir enfeites de sala para as épocas, jardinagem, marcenaria, lavar as roupinhas/paninhos da sala, sempre no momento previsto.

 

O ritmo mensal, onde num período aproximado de 4 semanas, são vivenciados diferentes temas (ou épocas), que  dão conteúdo  para as  histórias,  para a roda rítmica, na decoração da sala, na mesa de época, nas  músicas,  nas brincadeiras, nas atividades  manuais  que  acompanham  a  época.

 

Por fim temos o ritmo anual, que tem a ver com as épocas do ano: Verão, Outono, Inverno e Primavera. Estas são acompanhadas pelas Festas Anuais do calendário cristão: Natal, Páscoa, São João, São Micael.

 

Desta forma, o ritmo diário é permeado pelo ambiente, elementos e músicas de cada uma destas Épocas e Festas, trazendo assim para a criança uma vivência cultural e temporal através das imagens destes períodos.

 

Tudo isso leva a criança a vivenciar e ajudar a preparar e a comemorar a festa do ano correspondente, que é a coroação de cada época.

 

 

 

Em princípio, o grupo do jardim de infância busca ser uma reprodução da família: um espaço aconchegante, acolhedor, ambiente simples, seguro e rico em possibilidades para desenvolver a imaginação e fortalecer a vontade da criança sob a supervisão de uma ou duas pessoas: a professora e a auxiliar de sala (quando necessária).

É saudável que no jardim de infância as crianças sejam de faixa etária diferente, podendo variar entre 3 e 6 anos e meio, como em uma família onde há irmãos menores e maiores convivendo juntos. Neste caso, os maiores têm responsabilidades e tarefas mais amplas e, até certo ponto, mais complexas do que os menores, inclusive os maiores são estimulados com leveza em ajudar a cuidar dos menores se assim desejarem.

 

No interior da sala de aula do jardim cada grupo tem o seu espaço com seus respectivos brinquedos, e no espaço exterior (jardim, parque, bosque...) há os montes, subidas e descidas, trilhas, árvores e plantas diversas, brinquedos e, futuramente, a horta.

 

O dia se divide em varias atividades em que não se podem faltar pequenas tarefas distribuídas entre os alunos, como: regar as plantas, ordenar o espaço, preparar a mesa do lanche, descascar ou cortar as frutas, limpar e organizar os brinquedos… tudo isso de forma divertida e distraída, sempre cantando, estimulando naturalmente a imaginação numa vivência lúdica e harmoniosa.

 

O sistema educativo básico é o da imitação. O brincar livre da criança compreende a natureza a sua volta e sua influência cultural de forma imitativa. A autoridade não é usada, já que debilita a vontade da criança e gera tensão, o que seria prejudicial pra harmonia do trabalho. O princípio é o do respeito e da gentileza, sobretudo, o da veneração, do amor ao próximo em sua total abrangência.

 

O dia corre ritmicamente, com as estações, alternando períodos de atividades de expansão (músicas, brincadeiras e “jogos” livres…), junto com atividades de concentração como (contação de histórias, desenho, aquarela, modelagem, alimentação, preparação do pão…), respeitando em todo momento a criança. As crianças de faixa etária maior, a partir dos 5 anos, vivenciam também seus primeiros trabalhos manuais (manualidades) que contemplam o desenvolvimento da sua coordenação motora, entre outros aspectos mais sutis, nem por isso menos importantes, através da confecção de pompons de lã, tricô de dedos, etc. Nos momentos de brincadeiras, jogos, e atividades juntos, cada um participa apenas se assim desejar. Pode ter, por exemplo, uma atividade inicial pra consciência de grupo e espaço ao redor. Depois as crianças brincam livremente, sozinhos ou em pequenos grupos que se criam espontaneamente. O lanche da manhã é uma cerimônia: lavar as mãos, sentar, cada um no seu lugar de costume, preferencialmente sem barulho ou algazarra, em seguida um verso de agradecimento é proferido junto a música das cinco estrelinhas, para somente após feito isto dar-se início à refeição. O ritmo é muito importante para as crianças! Após o momento do lanche, uma atividade em comum, como pintar, modelar, recortar, com pequenas historinhas no meio… No final, uma roda em silêncio, aonde a professora explica pausada e expressiva, um conto de fadas, com música e versos intercalados. Geralmente os contos e versos são repetidos em vários dias, no intuito também de manter a expectativa de continuação. Esse é um entre os modelos de aula. Importante é manter sempre o mesmo ritmo. Qualquer alteração tem que ser apresentada como grande evento: um passeio, uma festa de aniversário de um aluno (ritualizada por uma bela coroação do aniversariante), sempre transformadas em uma cerimônia solene, porém singela e alegre sobretudo.

Atividades individuais ou em grupo a partir de um plano elaborado pela professora. Atentar para a importância de combinar o espontâneo a uma orientação sutil.

 

Exemplos:

 

  • Pintar aquarelas utilizando papel e pigmentos naturais apropriados a proporcionar um resultado satisfatório e de qualidade. As crianças precisam estar à vontade, e um critério importante é a vivência das cores e não a valorização da forma e da reprodução de um objeto;

 

  • Modelagem de massa de cera de abelha, pois requer um esforço maior para conseguir dar a forma desejada – exercício da vontade;

 

  • “Jogos” com bonecas ou objetos de uso em casa (cozinha, panelas, paninhos de faxina, etc.);

 

  • Teatro de mesa, de colo, etc.;

 

  • Brincadeiras e “jogos” ao ar livre, parque, piquenique;

 

  • Rodas com instrumentos musicais (kantele e/ou flauta pentatônica, xilofone, címbalos, chocalhos, apitos, etc.), versos e canto;

 

  • Rodas rítmicas contemplando temática relacionada a cada época;

 

  • Culinária: preparação de pães, biscoitos, bolachas, bolos, cuscuz…

 

  • Passeios nos arredores da escola: nos jardins, bosque e horta. Observação espontânea da natureza – apreciação dos elementos, tais como: a terra, a água, o vento que flui, e alguns deles podem ser naturalmente moldados, já que correspondem à fluidez e forças etéreas das crianças;

 

  • A criança desta idade se sente muito atraído por tudo o que tem movimento. Por esse motivo, se busca estimular os movimentos e impulsos existentes nas próprias crianças, para que assim elas se libertem do condicionamento de ritmos, formas e sons do mundo mecânico, eletrônico e digital dos dias atuais (caricaturas, ritmos e gestos mecânicos, propagandas de rádio e TV, e outros diversos estímulos artificiais e desprovidos de sentido) por outro lado, a criança necessita começar a experimentar, mediante os movimentos livres de seu corpo, situações que vai conhecer mais à frente na idade do ensino fundamental;

 

  • Os contos de fadas são elemento vital que atuam na alma da criança, o alimento da alma, irradiando forças da imaginação e, a fantasia para muitas atividades, entrando na vida anímica dos pequenos e os fortalecendo como indivíduos livres não apenas no ambiente escolar, mas na vida.  A professora cria histórias que se desenvolvem neste ambiente para trabalhar objetivos pedagógicos específicos. Tudo no ambiente do Jardim deve ser aconchegante e acolhedor.

Também deste modo devemos cuidar do alimento físico que são oferecidos no ambiente escolar. Não deve haver neste universo de luz objetos e alimentos que desequilibrem essa harmonia, que não visem promover a salutogênese desses seres. A escola é um pequeno santuário de crianças, já que o ambiente marca a vida anímica, espiritual e a orgânica da criança na idade pré-escolar;

 

  • A criança necessita adquirir confiança no mundo. Cada objeto, seu material, deve ser o que parece ser. Disto provem a exigência de materiais naturais: madeiras, pedras, tecidos de fibras naturais, etc. Não devemos ter materiais plásticos, sintéticos, artificiais, simbolizando um mundo de mentira, de artificialidade, facilidades ilusórias e fácil descarte. Daqui nasce a confiança no mundo dos adultos, do mundo em geral.

A frase que bem resume esta fase do primeiro setênio, a verdade que deve ser muito bem vivenciada, sentida e plenamente internalizada por nossas crianças é: O mundo do belo!!

 

  • Num jardim de infância de inspiração na Pedagogia Waldorf não há a pré-escola tradicional como nos acostumamos a ver mais comumente onde ainda há: estímulos desnecessários valorizando o pensar e enfraquecendo a imaginação e o agir espontâneo da criança menor de 7 anos, a alfabetização precoce, atividades de condicionamento, operações simples, exercícios lógicos, aparelhos mecânicos, eletrônicos ou digitais como auxiliares à educação, entre outras atividades que entendemos por prejudicial à natureza infantil.

 

 

O passo do tempo e as estações do ano se vivem através do brincar livre e criativo, das rodas rítmicas, das histórias e contos de fadas, dos rituais e festas que com amor e dedicação são preparadas por todos a cada época. Tudo isto seguindo uma fundamentação antroposófica que fora muito bem esclarecida por seu idealizador Rudolf Steiner.

 

*Bibliografia Indicada:

 

"Andar, falar, pensar – A atividade lúdica"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2007.

 

"A Arte de educar em família – os desafios de ser pai e mãe nos dias de hoje"

Sandra Stirbulov e Rosemeire Laviano  – All Print Editora, São Paulo, 2015.

"A ciência oculta"

Rudolf Steiner – FEWB, São Paulo, 2006.

"A doença como linguagem da alma da criança"

Rudige Daklke – Cultrix, Brasil, 2014.

"A educação da criança – segundo a ciência espiritual"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2007.

"A maternidade e o encontro com a própria sombra"

Laura Gutman – Best Seller, Rio de Janeiro, 2012.

"A natureza anímica da criança"

Caroline Von Heydebrand – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2006.

"A questão pedagógica como questão social"

Rudolf Steiner – FEWB, São Paulo, 2009.

 

"Caminho de Cristo, O – O resgate da magia das festas cristãs"

Karin Evelyn Scheven – Edição do Autor, São Paulo, 2005.

 

"Carências da alma em nossa época"

Rudolf Steiner – FEWB, São Paulo, 2006.

"Consultório pediátrico – Um conselheiro médico pedagógico"

Wolfgang Goebel & Michaela Glockler – Ed. Antroposófica, São Paulo, 1993.

 

"Conte outra vez – Contos rítmicos"

Karin Satasch – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2012.

"contos de fadas, Os – Sua poesia e interpretação"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2012.

"Criança brincando! quem a educa?"

Luiza T. Lameirão – Ed. João de Barro, São Paulo, 2007.

 

"Criança querida – O dia-a-dia das creches e jardins-de-infância"

Renate Keller Ignácio – Associação Comunitária Monte Azul – Ed. Antroposófica, São Paulo.

"Currículo social na escola: a necessidade do nosso tempo - Propostas, sugestões e experiências no Brasil e no exterior"

Ute Craemer – FEWB, São Paulo, 2011.

"Demência digital"

Manfred Spitzer – Ediciones B, Espanha, 2013.

 

"Desafios para uma pedagogia social"

Alexander Bos – FEWB, São Paulo, 1986.

 

"Desvendando o crescimento – As fases evolutivas da infância e da adolescência"

Bernard Lievegoed – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2007.

"Filhos felizes na escola – Pedagogia Waldorf, o ensino pela arte"

Helena Trevisan – Ed. Universitária Trevisan, São Paulo, 2006.

"Irmãos e irmãs"

Karl König – FEWB, São Paulo, 2014.

 

"Jardim de infância – Estruturando o ritmo diário segundo as necessidades da criança pequena"

Helle Heckmann – FEWB – Aliança pela Infância, São Paulo, 2010.

"Mídia e violência"

Heinz Buddemeier – Ed. Antroposófica e Aliança pela Infância, São Paulo, 2007.

"Minha querida boneca – Orientação para pais, professores e educadores segundo a ciência espiritual"

Karin Evelyn Scheven – Edição do Autor, São Paulo, 1991.

"Noções básicas de Antroposofia"

Rudolf Lanz – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2007.

"O amor e seu significado no mundo – nervosismo e autoeducação"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2008.

"O Conhecimento dos Mundos Superiores – A iniciação"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2010.

"O mistério dos temperamentos– As bases do comportamento humano"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 1996.

 

"Os primeiros anos da infância – Material de estudo dos jardins da infância Waldorf"

Rudolf Steiner – FEWB, São Paulo, 2006.

"Os primeiros sete anos – fisiologia da infância"

Edmond Schoorel – Ed. Antroposófica – FEWB, São Paulo, 2011.

 

"O que comemos afinal – Indicações práticas para uma nova consciência em alimentação"

Otto Wolff – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2007.

"Os três primeiros anos da  criança"

Karl König – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2011.

"pedagogia Waldorf, A – Caminho para um ensino mais humano"

Rudolf Lanz – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2005.

"Renovando a escola"

Torin M. Finser – FEWB, São Paulo, 2014.

"Temperamentos e alimentação – Indicações médico-terapêuticas e aspectos gerais"

Rudolf Steiner – Ed. Antroposófica, São Paulo, 2007.

"Teosofia – Introdução ao conhecimento suprassensível do mundo e do destino humano" 

Rudolf Steiner – FEWB, São Paulo, 2010.

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